Câmera e iluminação registram apresentação de óculos no estúdio de live commerce da Petina

Live commerce no Brasil: como Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop estão transformando as vendas

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Live commerce é uma modalidade de comércio eletrônico que permite apresentar produtos em transmissões ao vivo, interagir com consumidores e facilitar compras durante a exibição. O formato aproxima demonstração, atendimento e venda, reduzindo a distância entre conhecer um produto e tomar uma decisão de compra.

No Brasil, Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop estão desenvolvendo experiências que conectam conteúdo e comércio dentro de seus aplicativos.

Para marcas, indústrias e vendedores de marketplaces, essa evolução representa uma oportunidade de apresentar melhor seus produtos, esclarecer dúvidas e construir relacionamento com o público. Mas exige planejamento, estrutura de produção e uma operação comercial preparada.

O que é live commerce e como funciona?

O live commerce combina uma transmissão de vídeo ao vivo com recursos de comércio eletrônico. Durante a apresentação, consumidores podem acompanhar demonstrações, fazer perguntas, consultar ofertas e acessar produtos para compra.

Imagine uma marca de moda apresentando sua nova coleção. Em vez de depender exclusivamente de fotografias e descrições, ela pode mostrar o caimento das peças, comparar tamanhos, explicar os tecidos e responder perguntas enquanto os consumidores acompanham a transmissão.

A mesma lógica pode ser aplicada a cosméticos, utensílios domésticos, eletrônicos, acessórios e produtos que se beneficiam de demonstrações práticas.

A principal diferença em relação a uma página tradicional de produto está na interação: o consumidor não precisa interpretar sozinho todas as informações disponíveis.

Qual a diferença entre live commerce, vídeos compráveis e afiliados?

Embora façam parte do universo do social commerce, esses formatos têm características distintas.

  • Live commerce: transmissão em tempo real com apresentação de produtos, interação com a audiência e possibilidade de compra.
  • Vídeos compráveis: conteúdos gravados que apresentam produtos e oferecem caminhos integrados para a compra, sem depender de uma transmissão ao vivo.
  • Marketing de afiliados: modelo em que criadores ou parceiros divulgam produtos e podem receber comissões pelas vendas atribuídas à sua atuação.

Essas estratégias podem funcionar de maneira complementar.

Uma marca pode utilizar vídeos curtos para despertar interesse, convidar consumidores para uma live de demonstração e trabalhar com afiliados para ampliar a distribuição do conteúdo.

O objetivo é construir uma jornada em que descoberta, informação e compra estejam conectadas.

O mercado de live commerce no Brasil e no mundo

O live commerce no Brasil está ganhando espaço, mas sua adoção deve ser analisada com atenção aos diferentes indicadores disponíveis.

Segundo pesquisa da CNDL/SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, 31% dos entrevistados já haviam utilizado o live commerce como canal de compra.

O levantamento foi realizado em junho de 2025 e divulgado em novembro do mesmo ano. A etapa sobre hábitos de compra contou com 800 consumidores que haviam realizado compras online nos 12 meses anteriores.

Portanto, o percentual se refere ao público pesquisado, e não à população brasileira em geral.

Fonte: CNDL/SPC Brasil — Hábitos de compra dos consumidores.

O que a experiência da China ensina?

A China oferece uma referência importante para compreender o desenvolvimento das vendas ao vivo.

De acordo com a McKinsey, o live commerce começou a ganhar escala no país em 2016, com o lançamento do Taobao Live, do Alibaba.

Em estudo publicado em julho de 2023, baseado em pesquisa realizada entre agosto e setembro de 2022, a consultoria identificou a China como um mercado mais maduro do que outras regiões analisadas.

O estudo também apontou diferenças relevantes entre consumidores de diferentes mercados, incluindo motivações de compra, frequência de participação e expectativas em relação às transmissões.

Fonte: McKinsey — Ready for prime time? The state of live commerce.

Essas observações representam o cenário estudado naquele período, não estatísticas atualizadas de 2026.

A principal lição para empresas brasileiras é que o formato precisa ser adaptado ao comportamento do consumidor, à categoria de produtos e à realidade de cada operação.

Como o Mercado Livre está conectando conteúdo e compra?

O Mercado Livre Live integra transmissões ao vivo à experiência de compra no aplicativo, aproximando vendedores, criadores, afiliados e consumidores.

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de social commerce, na qual vídeos, lives e programas de afiliados podem atuar em conjunto.

Na experiência apresentada pelo Mercado Livre, uma transmissão pode reunir diferentes elementos:

  • Apresentador demonstrando os produtos.
  • Produto em destaque durante a transmissão.
  • Chat para perguntas e interação.
  • Botão de compra integrado à experiência.
  • Incentivos comerciais, conforme as condições da ação.

Essa combinação permite que o consumidor avance da descoberta para a avaliação do produto e, potencialmente, para a compra sem precisar abandonar a experiência de conteúdo.

Fonte: Mercado Livre — Lançamento do Mercado Livre Live.

Como os consumidores encontram as lives?

A estratégia apresentada pelo Mercado Livre contempla diferentes possibilidades de distribuição, como a página inicial do aplicativo, ambientes de Live e Vídeo, notificações, páginas de produtos, perfis e compartilhamentos externos.

Também são apresentados caminhos de produção envolvendo vendedores, afiliados e agências.

Essas possibilidades ajudam a compreender como a plataforma pretende aproximar conteúdo e comércio. Entretanto, a disponibilidade dos recursos e as condições de participação devem ser verificadas para cada conta e modalidade de operação.

Para uma marca, o ponto estratégico é compreender que a live não deve ser tratada como uma ação isolada.

Uma transmissão pode fazer parte de um calendário que envolva divulgação antecipada, seleção de produtos, ofertas, vídeos de apoio e acompanhamento dos resultados.

Shopee Live e TikTok Shop: como as plataformas desenvolvem as vendas ao vivo

Shopee Live: conteúdo integrado ao calendário comercial

A Shopee desenvolve o Shopee Live como uma experiência de interação e compra dentro do marketplace.

Segundo informações divulgadas em sua página institucional, consultada em outubro de 2026, a plataforma realiza mais de 10 mil lives por dia no Brasil.

Durante a campanha 6.6 de 2026, a empresa registrou um recorde de 32 mil transmissões em um único dia.

Fonte: Shopee — Informações institucionais e Shopee Live.

Esses números demonstram a escala de produção de conteúdo ao vivo na plataforma.

Para os vendedores, as transmissões podem ser incorporadas ao calendário promocional, especialmente nas campanhas de datas duplas, como 6.6, 9.9 e 11.11.

Uma marca de utilidades domésticas, por exemplo, pode demonstrar produtos, comparar funcionalidades e apresentar ofertas durante uma campanha.

O desafio está em transformar a audiência em compras economicamente sustentáveis, considerando descontos, comissões, frete e demais custos.

TikTok Shop: descoberta de produtos e compra no mesmo ambiente

O TikTok Shop desenvolve uma experiência comercial baseada na descoberta de produtos por meio de conteúdos, criadores e transmissões ao vivo.

Segundo comunicado oficial publicado em junho de 2026, na comparação entre maio de 2025 e maio de 2026, o número médio diário de lives no Brasil cresceu 20 vezes.

No mesmo intervalo, o GMV médio diário, por mês, gerado pelas transmissões cresceu 161 vezes.

GMV, sigla de Gross Merchandise Value, representa o valor bruto das mercadorias transacionadas, antes de determinadas deduções e custos. Não equivale ao lucro ou à receita líquida do vendedor.

Esses indicadores representam o crescimento das lives dentro do TikTok Shop, e não uma taxa de crescimento de todo o mercado brasileiro de live commerce.

Fonte: TikTok Newsroom — Primeiro ano do TikTok Shop no Brasil.

Nesse ambiente, uma pessoa pode descobrir um produto durante um vídeo, acompanhar uma demonstração ao vivo e realizar uma compra a partir dos recursos comerciais disponíveis.

Para marcas e indústrias, isso exige uma abordagem que considere tanto a apresentação do produto quanto a linguagem do conteúdo e a participação de criadores.

Mercado Livre Live, Shopee Live e TikTok Shop: quais são as diferenças?

As três plataformas conectam conteúdo e comércio, mas apresentam características distintas de descoberta e relacionamento com o consumidor.

CritérioMercado Livre LiveShopee LiveTikTok Shop
DescobertaExperiência de compra do marketplace, com distribuição em ambientes de conteúdo e outros pontos do aplicativoAmbiente de compras, campanhas promocionais e conteúdos dentro da ShopeeFeed de conteúdo, criadores, recomendações e lives
InteraçãoApresentador, chat e demonstração de produtosTransmissões, demonstrações e interação com espectadoresCriadores, apresentações ao vivo e interação com a comunidade
CompraProdutos e recursos de compra integrados à liveProdutos vinculados à experiência comercial da transmissãoCompra conectada ao conteúdo e aos recursos do TikTok Shop
Atenção para marcasElegibilidade, catálogo, produção e integração à estratégia comercialCalendário promocional, competitividade das ofertas e custosLinguagem de conteúdo, criadores, disponibilidade e gestão de afiliados

Não existe uma plataforma universalmente superior. A escolha depende do perfil do público, da categoria, da presença atual da marca, dos recursos disponíveis e da capacidade operacional.

Uma empresa também pode testar mais de um ambiente, desde que consiga medir resultados separadamente e manter a qualidade da operação.

O que uma marca precisa preparar para começar a vender ao vivo?

Uma operação de live commerce exige mais do que uma câmera e uma pessoa apresentando produtos.

O ideal é estruturar um processo que conecte conteúdo, atendimento, tecnologia e operação comercial.

1. Escolher produtos adequados para demonstração

Priorize produtos cujos benefícios possam ser percebidos visualmente.

Em moda, isso inclui caimento, tecido e combinações. Em beleza, aplicação e características do produto. Em eletrônicos, funcionalidades, acessórios e situações de uso.

Produtos com dúvidas frequentes também podem ser bons candidatos.

2. Preparar um roteiro comercial

O roteiro deve organizar a transmissão sem transformar a apresentação em uma leitura mecânica.

É importante definir a abertura, a sequência dos produtos, os principais diferenciais, as demonstrações, as respostas às dúvidas e os momentos de apresentação das ofertas.

Também é necessário prever alternativas para problemas técnicos e produtos indisponíveis.

3. Garantir qualidade de áudio, imagem e conexão

Um estúdio para live commerce deve proporcionar condições adequadas de gravação e transmissão.

Iluminação, enquadramento, captação de áudio e estabilidade da internet interferem diretamente na capacidade de apresentar os produtos.

Uma imagem pouco nítida pode dificultar a avaliação de detalhes. Áudio ruim pode comprometer explicações e respostas.

4. Definir apresentador e moderação

O apresentador precisa conhecer os produtos e comunicar seus benefícios com clareza.

A moderação acompanha comentários, organiza perguntas, orienta consumidores e ajuda a identificar problemas durante a transmissão.

Dependendo da operação, essas funções podem ser realizadas por pessoas diferentes.

5. Integrar estoque, ofertas e logística

Antes da transmissão, é importante conferir disponibilidade, variações, preços, condições promocionais e capacidade de atendimento dos pedidos.

Também devem ser avaliados os prazos de expedição, a integração com o ERP e os processos de pós-venda.

Uma live que gera pedidos acima da capacidade operacional pode provocar atrasos, cancelamentos e insatisfação.

6. Criar consistência de produção

Uma transmissão isolada pode gerar aprendizados, mas um calendário permite comparar formatos, horários, produtos e abordagens.

Por exemplo, uma marca pode testar demonstrações semanais de lançamentos e intensificar a programação em períodos promocionais.

Na Black Friday, o live commerce pode apoiar a apresentação de ofertas, esclarecer condições comerciais e destacar produtos selecionados.

A estratégia, porém, deve funcionar durante todo o ano, e não depender exclusivamente de grandes campanhas.

Como medir os resultados de uma operação de live commerce?

O desempenho de uma live commerce deve ser avaliado considerando audiência, comportamento do consumidor, vendas e rentabilidade.

Os principais indicadores incluem:

IndicadorO que permite avaliar
AudiênciaQuantidade de espectadores alcançados e participantes da transmissão
RetençãoTempo de permanência e capacidade de manter o interesse
Cliques em produtosInteresse gerado pelos itens apresentados
Pedidos atribuídosQuantidade de pedidos associados à transmissão, conforme as regras de atribuição
GMVValor bruto de mercadorias transacionadas e atribuídas à live
Margem após custosResultado econômico após custos dos produtos, taxas, comissões, descontos e operação
CancelamentosPedidos não concluídos e possíveis problemas comerciais ou operacionais

É importante distinguir pedidos realizados durante a live de pedidos efetivamente atribuídos à transmissão pelos relatórios da plataforma.

Também é necessário considerar que cada ambiente pode utilizar critérios diferentes de atribuição.

Uma transmissão com grande audiência não representa necessariamente uma operação rentável.

Da mesma forma, um GMV elevado pode esconder margens reduzidas quando os descontos, comissões e custos de produção são excessivos.

O acompanhamento deve combinar indicadores de conteúdo com resultados comerciais e financeiros.

Como a Petina está acompanhando o avanço do live commerce?

Acompanhando a evolução do live commerce, a Petina já conta com estúdios onde realiza lives para seus clientes, aproximando marcas e consumidores por meio de demonstrações de produtos e interação ao vivo.

Nas transmissões, os produtos ganham uma apresentação mais dinâmica. É possível mostrar detalhes, explicar características, comparar modelos e esclarecer dúvidas dos consumidores durante a exibição.

Essa experiência é especialmente relevante para segmentos como moda e acessórios, nos quais a visualização dos produtos pode contribuir para a decisão de compra.

A estrutura de produção também tem papel importante. Iluminação, qualidade de imagem, áudio e organização da apresentação ajudam a proporcionar uma experiência mais clara para o consumidor.

Com essa iniciativa, a Petina amplia sua atuação no universo da gestão de marketplaces, acompanhando a integração entre conteúdo, relacionamento e comércio digital.

Perguntas frequentes sobre live commerce

1. É possível começar no live commerce com poucos produtos?

Sim. Uma empresa pode iniciar com um conjunto reduzido de produtos, especialmente aqueles que permitem demonstrações claras ou despertam dúvidas frequentes. O mais importante é selecionar itens disponíveis, com preços definidos e capacidade de entrega. A participação depende dos requisitos de cada plataforma.

2. É obrigatório contratar influenciadores para fazer lives de vendas?

Não necessariamente. Dependendo das regras e dos recursos disponíveis, a apresentação pode ser realizada por representantes da própria marca, vendedores ou criadores parceiros. O conhecimento sobre os produtos, a capacidade de comunicação e a interação com o público são fatores importantes.

3. Qual é a duração ideal de uma live commerce?

Não existe uma duração única para todas as operações. O tempo deve considerar a quantidade de produtos, o perfil do público e o objetivo comercial. Transmissões mais curtas podem funcionar para demonstrações específicas, enquanto programações maiores exigem organização para manter a atenção. O ideal é testar e acompanhar a retenção.

4. Live commerce funciona apenas em datas promocionais?

Não. Campanhas como Black Friday, 11.11 e outras datas comerciais podem concentrar oportunidades, mas as transmissões também podem apoiar lançamentos, demonstrações, apresentação de coleções e relacionamento com consumidores ao longo do ano.

5. Como saber se vale a pena investir em um estúdio para live commerce?

A decisão deve considerar a frequência planejada de transmissões, a necessidade de qualidade audiovisual, o custo de produção e o potencial comercial da categoria. Antes de ampliar investimentos, é recomendável realizar testes, acompanhar pedidos atribuídos e avaliar a margem obtida após os custos.

Sua marca está preparada para vender ao vivo?

O avanço do Mercado Livre Live, Shopee Live e TikTok Shop mostra que as plataformas estão ampliando as possibilidades de conectar conteúdo, interação e compra.

Para marcas, indústrias e vendedores, o live commerce representa mais uma forma de apresentar produtos e construir relacionamento com consumidores.

Entretanto, transformar esse formato em uma operação recorrente exige planejamento, qualidade de produção e acompanhamento dos resultados.

Quer entender como incluir o live commerce na estratégia da sua marca? Converse com a Petina.